Um laringoscópio reutilizável só é tão seguro quanto o seu reprocessamento. Esta visão geral é para as equipes de esterilização e de compras. Ela descreve a prática comum, não um protocolo: diretrizes nacionais, política local e as instruções de uso (IFU) do fabricante definem o que é feito em cada hospital.
Como os laringoscópios são classificados
As diretrizes de prevenção de infecções costumam usar a classificação de Spaulding, que organiza os itens reutilizáveis conforme o tecido com que entram em contato:
- Crítico itens que entram em tecido estéril ou na corrente sanguínea e precisam ser estéreis.
- Semicrítico itens que entram em contato com mucosas ou pele não íntegra. Precisam ao menos de desinfecção de alto nível, e a esterilização é usada com frequência quando o dispositivo permite.
- Não crítico itens que tocam apenas pele íntegra e precisam de limpeza e desinfecção de nível baixo ou intermediário.
As lâminas de laringoscópio entram em contato com as mucosas da boca e da garganta, por isso costumam ser tratadas como semicríticas; a diretriz do CDC dos EUA sobre desinfecção e esterilização em serviços de saúde as inclui nesse grupo.
As orientações para os cabos variam. Algumas fontes classificam o cabo como não crítico. Outras lembram que os cabos são segurados com luvas contaminadas durante o manejo da via aérea, e algumas organizações exigem que sejam limpos e desinfetados, ou embalados, entre pacientes. Siga as diretrizes nacionais e a política local, e confira se as IFU respaldam o método escolhido.
O ciclo básico
Cuidados no ponto de uso
Separe a lâmina do cabo logo após o uso. Remova a sujeira grosseira conforme as IFU, não deixe as secreções secarem na lâmina e envie-a para reprocessamento em um recipiente fechado e identificado. Uma lâmina usada nunca deve voltar ao carrinho ou a uma gaveta.
Limpeza
A limpeza remove a matéria orgânica que, de outra forma, protegeria os microrganismos da desinfecção ou da esterilização, por isso todas as etapas seguintes dependem dela. Pode ser manual, com detergente adequado e escovas macias, ou automatizada em lavadora-desinfetadora, conforme as IFU permitirem. Atenção ao encaixe tipo gancho, às extremidades do guia de luz e a todas as junções; depois enxágue e seque bem.
Inspeção
Inspecione cada lâmina após a limpeza, com boa iluminação e de preferência com ampliação. As principais verificações estão listadas abaixo.
Desinfecção ou esterilização
Em seguida, as lâminas passam por desinfecção de alto nível, térmica ou química, ou por esterilização, por um método que as IFU validam para aquele modelo. A esterilização a vapor é comum para lâminas projetadas para suportá-la. Os cabos costumam ser limpos com um desinfetante compatível; alguns modelos permitem retirar as pilhas e a fonte de luz para que o corpo do cabo seja processado mais a fundo.
Armazenamento
Guarde as lâminas processadas limpas, secas e protegidas de recontaminação, por exemplo embaladas ou em recipiente fechado, e identificadas para que a equipe distinga o material processado do usado. Se o hospital rastreia instrumentos, registre qual lâmina foi usada em qual paciente.
Por que lâminas de fibra óptica se adaptam ao reprocessamento repetido
Uma lâmina convencional tem uma lâmpada perto da ponta, um soquete e um contato elétrico no encaixe. São locais onde umidade e sujeira podem se acumular, e as IFU podem exigir a retirada da lâmpada antes do processamento.
Uma lâmina de fibra óptica Green System não tem lâmpada, fiação nem contato elétrico; a fonte de luz fica no cabo e a lâmina leva apenas um guia de luz. Sem partes elétricas a proteger, a lâmina é mais simples de limpar e mais adequada a lavagens, desinfecções e esterilizações repetidas, dentro dos métodos que suas IFU validam. Nosso artigo sobre laringoscópios de fibra óptica Green System e convencionais aborda as outras diferenças.
O que inspecionar
- Guia de luz. As duas extremidades devem estar limpas, claras e sem danos. Lascas, riscos, opacidade, amarelamento ou pontos escuros em um feixe de fibras, que indicam fibras quebradas, reduzem a luz. Em um cabo de teste, a luz deve ser forte e uniforme.
- Encaixe tipo gancho e dobradiça. A lâmina deve engatar com suavidade, travar com firmeza na posição de trabalho, acender a luz e ficar sem folga. Desgaste ou um clique fraco são motivos para retirá-la de uso.
- Superfícies. Procure resíduos de sujeira, manchas, corrosão, pites, trincas, rebarbas, empenos e bordas ásperas, principalmente na ponta e na flange. Superfícies danificadas são mais difíceis de limpar e podem lesionar tecidos.
- Cabos. Verifique se não há sujeira retida na empunhadura e na tampa, umidade ou corrosão no compartimento das pilhas e se a luz acende de forma confiável.
Retire de uso tudo o que for reprovado. Mande consertar apenas quando o fabricante permitir, ou substitua.
Os parâmetros validados vêm das IFU
Temperaturas, tempos de contato, detergentes, desinfetantes e qualquer limite de número de ciclos não são valores gerais. Pertencem a um dispositivo específico e são validados pelo fabricante. As IFU devem indicá-los, junto com eventuais restrições, como temperaturas máximas ou produtos químicos a evitar.
A ISO 17664-1 define as informações que os fabricantes devem fornecer para o processamento de dispositivos críticos e semicríticos, e as equipes de compras podem usá-la como lista de verificação ao analisar umas IFU. Se as IFU e a prática local divergirem, resolva a diferença com o fabricante antes de colocar o dispositivo em uso.
Lâminas de uso único nunca devem ser reprocessadas: são projetadas e validadas para uso em um único paciente. Nosso artigo sobre lâminas reutilizáveis e de uso único compara as duas opções.
Para dúvidas sobre o reprocessamento de uma lâmina ou cabo específico, pergunte à nossa equipe de exportação.